O mercado brasileiro de café iniciou junho com forte pressão sobre os preços do arábica, reflexo do avanço da colheita da safra 2026/27 nas principais regiões produtoras do país. No entanto, a partir da segunda semana do mês, o cenário mudou e as cotações voltaram a registrar alta, impulsionadas pelas chuvas que atingiram áreas cafeeiras e afetaram o ritmo dos trabalhos no campo. No Paraná, a saca está sendo negociada ao preço medio de R$ 1.339,00 (bebida dura tipo 6).
De acordo com pesquisadores do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), a entrada de volumes da nova safra aumentou a oferta disponível e pressionou os preços nos primeiros dias do mês. Porém, as precipitações registradas em diversas regiões produtoras reduziram temporariamente a disponibilidade do produto no mercado, contribuindo para a recuperação das cotações. Além de dificultarem o avanço da colheita, as chuvas também acendem um sinal de alerta para a qualidade dos grãos. Nesta etapa do ciclo produtivo, o excesso de umidade pode comprometer a secagem adequada do café, aumentando os riscos de perdas qualitativas.
Outro fator observado pelo Cepea é a preocupação de agentes do setor com o padrão da safra atual. Embora as estimativas oficiais apontem para uma produção recorde de café arábica, produtores e compradores têm relatado grãos com qualidade inferior e peneiras menores em comparação à temporada passada, situação que pode impactar a comercialização e a formação dos preços ao longo dos próximos meses.
No mercado do café robusta, o comportamento tem sido diferente. Os preços seguem mais sustentados, apoiados por expectativas de uma safra menor do que a registrada no ciclo anterior. Esse cenário mantém a oferta mais ajustada e contribui para a firmeza das cotações da variedade.




