Oscilações provocadas pelo clima nos Estados Unidos elevam as cotações em Chicago e abrem uma janela para comercialização gradual da safra brasileira, avalia a Biond Agro.
O clima voltou ao centro das atenções do mercado internacional de grãos e tem movimentado as cotações da soja e do milho na Bolsa de Chicago. A combinação de calor intenso e chuvas irregulares em importantes regiões produtoras dos Estados Unidos aumentou as incertezas sobre o desempenho da safra e criou uma oportunidade para que produtores brasileiros negociem parte da produção em condições mais favoráveis.
De acordo com análise da Biond Agro, a recomendação é aproveitar esse momento para realizar vendas de forma gradual, garantindo margens mais atrativas sem comprometer toda a produção. A orientação considera que a recente valorização dos preços está mais relacionada às incertezas sobre o clima do que a uma quebra efetiva da safra norte-americana, reduzindo o risco de exposição caso as chuvas retornem ao Meio-Oeste dos Estados Unidos.
“Hoje, o mercado está precificando o risco. Ainda não existe uma perda consolidada da safra nos Estados Unidos. Por isso, a orientação é que o produtor aproveite as oportunidades que surgem agora, sem apostar que os preços vão continuar subindo indefinidamente. Se o clima melhorar, esse movimento pode perder força rapidamente”, explica Yedda Monteiro, analista de inteligência e estratégia da Biond Agro.
Mercado acompanha clima e fundamentos
Na soja, mesmo com a confirmação de uma área plantada maior e estoques elevados nos Estados Unidos, os preços seguem sustentados pela expectativa de aumento da demanda e pelas preocupações com o desenvolvimento das lavouras durante as fases de floração e formação das vagens.
Já no milho, o cenário inspira ainda mais atenção. Os estoques norte-americanos vieram abaixo do esperado, indicando uma oferta menos confortável. Assim, qualquer mudança nas condições climáticas durante o período de polinização pode provocar oscilações mais intensas nos preços.
Para a especialista, o momento reforça a importância de decisões com base em estratégia, e não em expectativa.
“É natural que o produtor queira buscar o melhor preço possível, mas é difícil prever até onde o mercado pode chegar. Por isso, fazer vendas escalonadas permite aproveitar os momentos de alta, preservar a rentabilidade e reduzir o risco de uma mudança brusca nas cotações. É uma estratégia que traz mais segurança para o planejamento da safra, especialmente visando a 26/27 que se aproxima. O momento é de aproveitar os preços melhores, mas buscar não avançar mais que 40% da safra futura vendida até o fim do ano”, afirma Yedda.
Embora as previsões climáticas continuem sendo acompanhadas de perto pelo mercado, a especialista avalia que o momento é de cautela. Se as chuvas voltarem ao cinturão agrícola norte-americano nas próximas semanas, a tendência é que parte do prêmio de risco incorporado aos preços tende a desaparecer, limitando o espaço para novas altas.
Foto: Envato




