quinta-feira, junho 4, 2026

Estudo traça perfil do consumidor de carne ovina no Brasil

Com cerca de 700 respostas até o momento, estudos aponta para um potencial crescimento do consumo de carne ovina no Brasil

Estudo conduzido pelo programa de Pós-graduação em Ciência Animal da Universidade do Oeste Paulista (Unoeste) busca traçar o perfil do consumidor de carne ovina no Brasil, analisando suas preferências, frequência de consumo, percepção sobre qualidade, valor nutricional, preço e formas de aquisição. A pesquisa busca fornecer dados atualizados e abrangentes que possam impulsionar o desenvolvimento da cadeia produtiva da ovinocultura.

Coordenado pela Dra. Marilice Zundt Astolphi, professora do programa que oferta Mestrado e Doutorado, o estudo busca preencher lacunas de conhecimento sobre a cadeia produtiva da carne de cordeiro. “Nosso objetivo é compreender melhor o comportamento do consumidor e identificar os fatores que impactam diretamente na decisão de compra, como preço, disponibilidade e experiências sensoriais”, explica a pesquisadora.

A pesquisa foi estruturada com base em um questionário online contendo 28 perguntas fechadas, abordando aspectos demográficos (idade, gênero, escolaridade e renda) e questões específicas sobre o consumo de carne ovina, incluindo frequência, preferências de preparo, locais de compra, percepção sobre qualidade, sabor, maciez, suculência, gordura, preço, segurança alimentar e valor nutricional.

As respostas são analisadas por meio de técnicas estatísticas multivariadas, permitindo detectar relações entre variáveis, identificar segmentos específicos do mercado e auxiliar na formulação de estratégias de marketing e comercialização.

Consumo de carne ovina

Atualmente, a carne ovina possui um consumo per capita relativamente baixo no Brasil, estimado em apenas 1 kg por ano, enquanto a carne bovina, por exemplo, atinge cerca de 36 kg per capita. Pesquisas indicam que 12% da população brasileira nunca experimentou carne ovina e que uma parcela significativa teve experiências sensoriais negativas, como sabor ou odor desagradável.

“Nosso estudo busca validar hipóteses sobre o que realmente impacta o consumo da carne de cordeiro e como podemos transformar essa realidade, tornando a carne ovina mais acessível e apreciada pelo público brasileiro”, pontua a professora.

A pesquisa também pretende identificar variações regionais no consumo, uma vez que há diferenças culturais e econômicas significativas entre as cinco regiões do país. A coleta de dados permite verificar onde o consumo é mais frequente, onde há maior desconhecimento do produto, quais regiões demonstram maior interesse potencial e como variam as formas de preparo, locais de compra e percepção de qualidade entre as regiões. “Essas informações são fundamentais para estratégias regionais de desenvolvimento da cadeia produtiva”, fala a docente.

Os principais fatores que limitam o consumo da carne ovina no Brasil incluem o preço elevado em comparação a outras carnes, a baixa disponibilidade do produto em supermercados, o desconhecimento sobre formas de preparo e valor nutricional, experiências sensoriais negativas anteriores e hábitos alimentares regionalizados. A pesquisa visa investigar o peso real de cada um desses fatores, permitindo a formulação de estratégias que incentivem o aumento do consumo.

Apontamentos iniciais

Os dados preliminares, com cerca de 700 respostas, apontam para um crescimento potencial do consumo de carne ovina no Brasil. Muitos participantes que consomem pouco ou nunca consumiram carne ovina demonstram interesse em experimentar ou aumentar o consumo, especialmente se houver maior oferta, informação e melhor acesso.

Além disso, observa-se uma valorização crescente dos aspectos nutricionais e da origem dos alimentos, o que pode favorecer a carne ovina desde que bem posicionada no mercado. A pesquisa da Unoeste é essencial para fornecer informações atualizadas sobre o comportamento do consumidor e subsidiar decisões estratégicas para produtores, associações e toda a cadeia produtiva da carne ovina.

Com os resultados, espera-se estimular a formalização e o acesso ao mercado, adaptar produtos às preferências regionais, investir em comunicação nutricional e embasar propostas de políticas públicas que fortaleçam o setor. “Os dados coletados darão subsídios para direcionar melhor as estratégias da cadeia produtiva e estimular um mercado mais estruturado e acessível para o consumidor brasileiro”, finaliza Dra. Marilice.

Serviço

A participação na pesquisa ocorre de forma voluntária e anônima, por meio de um questionário online. O único critério de inclusão é que o participante tenha 18 anos ou mais. (com Assessoria)

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