Maior oferta de biocombustível pressiona cotações, enquanto mercado do açúcar segue equilibrado com negociações pontuais, aponta Cepea
Os preços dos etanóis anidro e hidratado voltaram a registrar quedas mais acentuadas no mercado paulista na última semana. O movimento foi impulsionado pelo avanço da moagem da cana-de-açúcar, favorecido pelas boas condições climáticas, que aumentou a oferta do biocombustível e pressionou as cotações. Além disso, a entrada de etanol proveniente de outros estados reforçou a disponibilidade do produto em São Paulo, contribuindo para o cenário de baixa, segundo levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea).
De acordo com pesquisadores, o clima favorável acelerou as atividades de colheita e processamento da cana, elevando o volume de etanol disponível no mercado. Com maior oferta e demanda sem crescimento suficiente para absorver esse incremento, os preços do biocombustível perderam força ao longo da semana. Além do aumento da oferta, o setor sucroenergético enfrenta um ambiente financeiro cada vez mais desafiador. Conforme o Cepea, as usinas convivem com custos de produção elevados e juros ainda altos no país, fatores que pressionam o fluxo de caixa e ampliam o endividamento das empresas.
Segundo o centro de pesquisas, a necessidade de capital para manter as operações, financiar investimentos e ampliar a capacidade produtiva torna o acesso ao crédito um fator estratégico para o setor. Diante desse cenário, as usinas seguem administrando margens mais apertadas e enfrentam um ambiente de maior pressão financeira.
Açúcar mantém estabilidade no mercado paulista
Enquanto o etanol registra queda nas cotações, o mercado de açúcar cristal branco apresenta comportamento mais estável no estado de São Paulo. Levantamento do Cepea mostra que os preços permanecem praticamente inalterados, sustentados por negociações pontuais entre compradores e vendedores. As indústrias acompanham atentamente o andamento da safra de cana no Centro-Sul do país, enquanto os vendedores seguem firmes nas pedidas, evitando concessões nos preços.
As chuvas registradas entre maio e junho reduziram temporariamente o ritmo da colheita e da moagem da cana-de-açúcar. No entanto, as precipitações também favoreceram o desenvolvimento dos canaviais que serão colhidos na segunda metade da safra, o que pode contribuir para um melhor desempenho da produção nos próximos meses.
Com a safra avançando e o mercado atento às condições de oferta e demanda, o comportamento das cotações do etanol e do açúcar continuará sendo influenciado pelo ritmo da moagem, pelas condições climáticas e pelo cenário econômico enfrentado pelas usinas do Centro-Sul brasileiro.




