quinta-feira, junho 4, 2026

Guerra acende alerta na avicultura do Paraná

Com alta de até 20% nos custos de produção e incertezas globais, Sindiavipar considera inevitável repasse de preços e ajustes precisos da indústria para equilibrar oferta e demanda

Principal polo produtor e exportador de frango do Brasil, o Paraná sustenta a competitividade nacional, mas esse protagonismo amplia a exposição do estado ao novo ciclo de pressão econômica que atinge a avicultura brasileira. Segundo o Sindicato das Indústrias Avícolas do Estado do Paraná (Sindiavipar), a guerra no Oriente Médio agravou os impactos da escalada do custo de produção e acendeu um sinal de alerta no setor. Diante desse cenário, a entidade considera inevitável repasses de preços na ordem de 15% a 20% para zerar as perdas acumuladas nos últimos meses e defende ajustes precisos para a indústria avícola equilibrar oferta e demanda neste momento de incertezas globais.

O Estado responde por até 41% das exportações brasileiras e mais de 34% da produção nacional, enquanto a indústria enfrenta pressão de custos e necessidade de ajuste produtivo. A cadeia avícola estadual movimenta cerca de R$ 45 bilhões em Valor Bruto da Produção (VBP) e gera mais de 100 mil empregos diretos e até 1,5 milhão de empregos indiretos. “O ecossistema agroindustrial do Paraná é um dos maiores do mundo e posiciona o estado como peça-chave na segurança alimentar global”, destaca o presidente do Sindiavipar, Roberto Kaefer.

Nos últimos ciclos, o setor avícola brasileiro enfrenta aumento expressivo de custos, com impacto direto na rentabilidade das agroindústrias e cooperativas paranaenses. O coordenador da Câmara de Mercados do Sindiavipar, Jair Meyer, detalha que a elevação entre 15 e 20% no custo de produção foi impulsionada por: grãos (milho e farelo de soja), que representam até 70% do custo da ração; energia elétrica com reajustes acima da inflação; logística pressionada pelo diesel e gargalos estruturais; embalagens ligadas ao petróleo; mão de obra e custos operacionais. “Além disso, os conflitos geopolíticos impactam fretes, energia e previsibilidade dos mercados”, aponta.

Na avaliação do presidente do Sindiavipar, o atual cenário marca um ponto de inflexão para o setor, já que a lógica histórica baseada em escala produtiva visualiza uma nova variável crítica, que é o equilíbrio entre oferta e demanda. “Com mercados internacionais ainda em recomposição e consumo sujeito a oscilações, o risco de sobreoferta passa a ser concreto e com potencial de pressionar preços e deteriorar margens”, observa.

Novo desafio

Com custos elevados e risco de pressão nos preços, a avicultura paranaense e brasileira entra em uma fase em que produzir mais pode significar ganhar menos. “O novo desafio é produzir com precisão, e não apenas em escala”, afirma Kaefer. De acordo com ele, “o Paraná é hoje o principal motor da avicultura brasileira, mas esse protagonismo exige ainda mais precisão nas decisões; produzir acima da demanda pode comprometer toda a cadeia”.

O Sindiavipar reitera que o setor avícola do Paraná pauta sua atuação com responsabilidade, assegurando o abastecimento nacional e contribuindo para a segurança alimentar global. No entanto, diante de custos já elevados e recentemente intensificados, a avaliação da entidade é que torna-se inevitável a necessidade de repasses de preços para garantir o desenvolvimento sustentável da atividade. (Texto e foto: divulgação)

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