domingo, junho 7, 2026

Integração lavoura-pecuária reduz impactos climáticos

A Embrapa Cerrado fez um estudo apontando que a adoção de sistemas integrados pode ser benéfica tanto na diminuição das emissões de óxido nitroso (N2O) como na redução das aplicações de fósforo e potássio, se comparados a sistemas de lavouras contínuas fertilizadas com as doses normalmente recomendadas desses nutrientes.

Os sistemas de lavoura contínua, sem a presença da pastagem na rotação e baseados no cultivo solteiro de soja e sorgo promoveram emissões mais elevadas de N2O quando foi aplicada à fertilização recomendada, em relação aos sistemas que receberam metade da dose, aplicadas como fertilização de manutenção, conforme resultados obtidos em experimento de longa duração conduzido na Embrapa Cerrados (DF) entre 1991 e 2013. 

“A relação entre as emissões de N2O e a fertilização nitrogenada, assim como as menores emissões de N2O resultantes da adoção de sistemas integrados, já estão bem documentadas na literatura científica. No entanto, ainda não havia informações disponíveis sobre a relação das emissões desses Gases de Efeito Estufa (GEE) com outros nutrientes comumente aplicados na lavoura, como fósforo e potássio,” argumentam os autores.

Benefícios para o solo

A rotação entre lavoura e pastagem traz diversos benefícios para a qualidade do solo, que tem como consequência a proteção da matéria orgânica e a melhoria do funcionamento biológico do solo, além da redução das emissões de GEE.

No sistema integrado na modalidade “boi safrinha”, por exemplo, o pastejo de entressafra reduz a disponibilidade de biomassa no solo, aumentando a mineralização do nitrogênio, a ciclagem de nutrientes e estimulando o sistema radicular da gramínea forrageira. “Confirmamos a hipótese de que com a adoção de sistemas integrados em áreas consolidadas de agricultura é possível reduzir a adubação fosfatada e potássica e, ao mesmo tempo, mitigar as emissões de N2O em comparação com lavouras contínuas que recebem altas doses desses nutrientes”, afirmam os pesquisadores.

“Nossos resultados sugerem que os sistemas integrados, que incluem lavouras e pastagem, e com metade da dose de P e K, são mais efetivos em mitigar emissões de N2O, o que, no contexto atual de crise climática e na indústria global de fertilizantes, é um aspecto de grande relevância para a agricultura no Brasil e no mundo”, concluem os autores.

Tecnologia importante para as mudanças climáticas

Os sistemas integrados já são uma realidade no Brasil e representam uma das tecnologias disponíveis para enfrentar as mudanças climáticas, sendo uma das principais estratégias previstas no Plano ABC+, atual política pública brasileira para mitigação das emissões de GEE no setor agrícola. “É necessário estabelecer métricas que possibilitem comparar sistemas tradicionais, como lavouras continuas de grãos, ou de pecuária, com os intensificados, como os de Integração Lavoura-Pecuária e Integração Lavoura-Pecuária-Floresta. Nesse sentido, nosso estudo contribui para a elaboração dessas métricas”, finalizam os autores. (Texto e foto: Cocari/Embrapa)

Receba as informações do site diáriamente.

Mais do Canal do Agro

Campanha de atualização dos rebanhos segue até 14 de junho em SP

A Defesa Agropecuária, órgão da Secretaria de Agricultura e Abastecimento...

Inmet alerta para potencial de geada

O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) manteve nesta sexta-feira...

Frango: preço da carne se estabiliza em maio

Os preços médios mensais do frango inteiro resfriado e...

Brasil: exportações de carne de peru crescem

As exportações brasileiras de carne de peru apresentaram desempenho...

Milho safrinha mantém cenário positivo no Paraná

A safra de milho segunda safra 2025/26 segue com...

Algodão acumula quarta alta seguida e atinge maior patamar em quase um ano

Os preços do algodão em pluma mantiveram trajetória de...

Corpus Christi é feriado ou ponto facultativo? Entenda regras

A data religiosa é feriado em 19 capitais do...