quinta-feira, julho 23, 2026

Manejo eficiente no embarque e transporte contribui para a qualidade da carne

A Instrução Normativa n°56/2008, do Ministério da Agricultura e Pecuária, estabelece que o bem-estar dos animais de produção deve ser preservado

O embarque de animais para o transporte até o frigorífico exige planejamento cuidadoso para que a qualidade da carne não seja comprometida. Ambiente tranquilo, equipe treinada, veículo adequado e condução correta são fatores que contribuem tanto para um produto final de melhor padrão quanto para a manutenção da rentabilidade da fazenda.

A Instrução Normativa n°56/2008, do Ministério da Agricultura e Pecuária, estabelece que o bem-estar dos animais de produção deve ser preservado em todas as etapas da vida. No transporte, isso significa reduzir o estresse e evitar contusões ou sofrimentos desnecessários.

“O manejo inadequado no embarque pode impactar negativamente a carne. O estresse, por exemplo, reduz o glicogênio muscular, altera o rigor mortis e resulta em cortes mais escuros, duros e secos”, explica o zootecnista e diretor técnico comercial da Connan, Bruno Marson.

A preparação começa dias antes do carregamento. Nesse período, recomenda-se que os animais sejam mantidos tranquilos, acostumando-se ao contato humano e à movimentação. Dessa forma, no dia do embarque, entram espontaneamente no caminhão, sem necessidade de força, correria ou gritos — situações que aumentam o risco de hematomas, escoriações e acidentes. Estudos mostram que lesões sofridas até dez dias antes do abate ainda estarão presentes na carcaça, exigindo cortes e reduzindo o aproveitamento.

Entre as boas práticas, estão a condução calma, o uso de tábuas adequadas, rampas com no máximo 20° de inclinação e piso antiderrapante, fatores que reduzem quedas e machucados.

“O ideal é evitar longas caminhadas até o ponto de embarque, já que isso pode esgotar as reservas de glicogênio e prejudicar a carne. O bem-estar deve ser mantido do início ao fim do processo”, reforça Marson.

Outro ponto é a organização dos lotes. Misturar animais de diferentes grupos pode estimular brigas e aumentar o estresse. Quando inevitável, recomenda-se reunir os animais pelo menos uma semana antes em áreas amplas, para que se adaptem e reduzam interações agressivas.

Reflexos no produto final

Segundo Marson, os cuidados no embarque favorecem a qualidade da carne, melhorando atributos como cor, textura e suculência. Além disso, evitam perdas por contusões e carcaças descartadas, assegurando maior rentabilidade ao produtor.

“Além dos benefícios econômicos e para os animais, o manejo adequado atende às exigências dos consumidores, que estão cada vez mais atentos ao bem-estar animal e à qualidade dos alimentos que chegam à mesa”, conclui. (Divulgação)

Foto: divulgação Conan

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