quinta-feira, junho 4, 2026

Maracujá: enxertia visa melhorar sanidade e resistência ao clima

Uma parceria entre o IDR-Paraná (Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná – Iapar-Emater) e a Universidade Federal do Paraná (UFPR) está testando uma alternativa para o cultivo do maracujazeiro amarelo ou azedo (Passiflora edulis f. flavicarpa): a enxertia com o maracujazinho do campo (P. actinia). O objetivo é aumentar a resistência da planta a doenças e adversidades climáticas, além de melhorar a produtividade.

De acordo com o professor do Departamento de Fitotecnia e Fitossanidade da UFPR, Mauro Brasil, o maracujazeiro do campo foi escolhido para ser do porta-enxerto por ser um material rústico. “O maracujazeiro-do-campo é encontrado na natureza muito vigoroso resistindo a todas as adversidades biótica e abióticas, além disso é uma planta caducifólia (perde suas folhas durante o inverno para se proteger do frio), algo raro entre as passifloras. As matrizes que utilizamos para obter sementes desse material certamente têm 20 anos ou mais de idade e encontram-se viçosas sem receber qualquer manejo especial”, diz.

O enxerto (cultivar-copa) utilizado é o IPR Luz da Manhã, uma cultivar de maracujazeiro-amarelo do grupo azedo desenvolvida pelo IDR-Paraná e que apresenta boa produtividade e qualidade dos frutos. Porém, como qualquer planta desse grupo, trata-se de um material mais suscetível e melindroso em relação aos fatores externos, tanto é verdade que recentemente a cultura do maracujazeiro azedo tem se tornado anual numa tentativa de mitigar a pressão sob o seu sistema de cultivo.

As mudas foram produzidas pela UFPR por meio da enxertia hipoticoledonar e foram plantadas a campo em setembro de 2024 nos dois locais onde o experimento está sendo conduzido: na Estação de Pesquisa em Agroecologia (CPRA) do IDR-Paraná de Pinhais, em manejo orgânico; e na Unidade de Pesquisa em Morretes, com manejo convencional.

Mauro destaca que a diversidade climática entre as duas cidades influenciou na produção. “Em Morretes é muito mais quente e o maracujazeiro responde mais rápido. A safra de lá começou em novembro mantendo-se em bom nível até março. Já a de Pinhais começou em março e ainda estamos fazendo as últimas colheitas”, afirma.

O projeto ainda está na fase de coleta de dados, mas os resultados parciais já surpreendem. “Este é um experimento de longo prazo e, até agora, observamos bons resultados em termos de produção, produtividade e vigor das plantas, mesmo aqui na região metropolitana de Curitiba, que não é propícia ao maracujazeiro”, explica.

Outro ponto avaliado no experimento é o sistema de apoio no maracujazal, que além do sistema de apoio em espaldeira tradicional com um fio de arame onde o dossel produtivo é formado por uma cortina de ramos, adotou a formação de duas cortinas sustentado por três fios. Conforme o administrador da Estação de Pesquisa de Pinhais, Clóvis Roberto Hoffmann, esse sistema poderá dobrar a capacidade produtiva sem a necessidade de aumentar a área de cultivo devido a formação das duas cortinas.

Esse sistema também deve favorecer o incremento da taxa fotossintética da planta, que é a eficiência na absorção solar das folhas e conversão da energia luminosa em energia química, o que será importante para sustentar a maior produtividade proposta.

Os resultados do trabalho devem incentivar mais agricultores a investir no cultivo da fruta, ao tornar o sistema de cultivo proposta para o maracujazeiro azedo mais robusto e produtivo. Futuramente, a pesquisa poderá abrir caminho para outras avaliações e contribuir no melhor manejo da cultura, especialmente em relação à rusticidade das plantas. (AEN)

Foto: IDR-PR

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