segunda-feira, junho 8, 2026

Paraná tem 3.700 produtores orgânicos certificados

O Paraná comemorou o Dia da Agroecologia (3) como líder no ranking nacional de produção orgânica, segundo dados do Cadastro Nacional de Produtores Orgânicos. Seguido pelo Rio Grande do Sul e Pará, o Estado conta com 3.700 produtores certificados – 16% dos agricultores do País neste segmento, de acordo com os dados do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa).

É possível crescer ainda mais, pois a agroecologia é um movimento que busca revolucionar a relação com a terra, a comida e o meio ambiente. Até 2030, por força de lei, o Paraná deve ter 100% das mais de 2 mil escolas estaduais atendidas apenas com produtos orgânicos.

Os parâmetros e as ações necessárias para a introdução progressiva na rede estadual de ensino estão sendo analisados por um comitê gestor com integrantes de diversos órgãos. O colegiado assessora os secretários da Educação e da Agricultura e do Abastecimento no trabalho de formular, gerir e fiscalizar as políticas públicas que visam suprir a totalidade da alimentação escolar com produtos dessa linha.

Segundo André Luis Alves Miguel, engenheiro agrônomo e responsável pela coordenação estadual do Programa Agroecologia, a agricultura em geral tem adotando uma série de práticas que já eram de praxe e pregadas pela agroecologia há décadas. “O uso intensivo de plantas de cobertura e a cobertura do solo, o uso de microrganismos eficientes, e agora de cepas isoladas de microrganismos, foram práticas da agroecologia que estão sendo adotadas pela agricultura em geral, se tornado mais sustentável, espelhado na agroecologia”, afirma.

Mas, apesar dos avanços, ainda há muitos desafios: como aproximar os consumidores dos agricultores, fazer os alimentos de qualidade chegarem a todas as pessoas e a um custo acessível?

Para André, essas questões devem avançar muito nos próximos anos. “A agroecologia tem cumprido muito bem o seu papel de indicar o caminho, de criar belíssimas referências. E aqui no Paraná temos referências de propriedades agroecológicas que praticam agricultura orgânica, espalhadas por todo o Estado”, complementa.

“A agroecologia é a ciência que dá o caminho e que indica o rumo para o avanço da agricultura como um todo, rumo à sustentabilidade. Essa foi uma das conclusões a que chegamos no Encontro Estadual do Programa Paraná Mais Orgânico”, citando o evento realizado em junho, com organização do Governo do Estado. O foco foi debater temas relacionados à produção orgânica e promover parcerias estratégicas na agroecologia voltadas ao desenvolvimento regional sustentável.

SIGNIFICADO – A palavra agroecologia muitas vezes remete à ideia de um agricultor trabalhando harmoniosamente com a natureza. Formalmente, a agroecologia pode ser considerada como um campo de estudo emergente que abrange todo o sistema agroalimentar, com o objetivo de alcançar a soberania alimentar e nutricional da sociedade, numa perspectiva de integrar agricultura, alimentação, saúde e meio ambiente.

Não é apenas uma forma de agricultura, mas uma ciência, uma prática ecológica e um movimento social. Ela busca entender as relações e interações entre os organismos em sistemas agrícolas, visando uma produção sustentável e equilibrada.

Para Moacir Darolt, engenheiro agrônomo e coordenador do projeto Casa da Agroecologia do IDR-Paraná, a agroecologia é fundamental para reforçar o contato entre o saber científico e o tradicional. “Ela fortalece o diálogo de saberes entre pessoas, instituições, no qual o agricultor tem a prática, a vivência, a experiência, e as instituições científicas têm o conhecimento, o pensamento sistêmico e os indicadores técnicos, reforçando, assim, essa parceria entre o tradicional e o científico”, pondera.

Segundo Darolt, existe uma grande necessidade na formação de pessoas na universidade com uma visão mais sistêmica, crítica, de longo prazo, com conteúdo mais ético e expertise para trabalhar em equipes interdisciplinares. “É isso que a agroecologia faz, porque ela, necessariamente, precisa desse saber que não é só científico, mas também humildade para valorizar o saber tradicional”, acrescenta. (AEN)

Foto: José Fernando Ogura/AEN

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