quarta-feira, novembro 4, 2026

Preço do leite recua 5% com maior oferta e importações

Levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada(Cepea), da Esalq/USP, mostra que, em setembro, o preço médio do leite cru captado por laticínios e cooperativas recuou 5% frente ao de agosto, passando para R$ 2,76/litro (“Média Brasil”). Já quando comparado com setembro/25, houve avanço de 8,31% no preço médio, em termos reais (os valores foram deflacionados pelo IPCA de setembro/26).

O movimento reflete a maior disponibilidade de matéria-prima no mercado interno, em meio à recuperação sazonal da produção, especialmente no Sudeste do País, e à concorrência com os produtos importados. O ICAP-L (Índice de Captação de Leite) cresceu 2,16% de agosto para setembro, considerando-se a “Média Brasil”.

No mercado de derivados, setembro também foi marcado por quedas nos preços do leite UHT, da muçarela e do leite em pó fracionado negociados no atacado paulista. Além da maior oferta interna de matéria-prima, a pressão sobre os preços dos derivados foi reforçada pelo avanço das importações. No estado de São Paulo, pesquisas do Cepea realizadas com apoio da OCB (Organização das Cooperativas Brasileiras) mostram que, em setembro, os preços do UHT, do leite em pó e da muçarela caíram 4,76%, 4,38% e 2,77%, respectivamente, frente a agosto.

Quanto ao mercado internacional, as importações brasileiras de lácteos cresceram 8,38% de agosto para setembro, somando 249,6 milhões de litros em equivalente-leite (EqL), segundo dados da Secex. As exportações também avançaram, em 6,05%, totalizando 5,57 milhões de litros em EqL. Como o aumento das compras externas foi mais expressivo, o déficit da balança comercial de lácteos cresceu 8,4% frente a agosto. A entrada de produtos importados, sobretudo de leite em pó e queijos, amplia a disponibilidade interna e intensifica a concorrência com a produção nacional.

Segundo pesquisas do Cepea, em setembro, os custos de produção da pecuária leiteira voltaram a subir. O Custo Operacional Efetivo (COE) avançou 0,46% na “Média Brasil”, impulsionado pelo encarecimento dos insumos utilizados na alimentação do rebanho. O grupo de concentrados registrou alta de 0,84%, refletindo as valorizações do milho, da soja e do farelo de soja. A continuidade desse movimento pode manter os custos sob pressão em outubro.

Para os próximos meses, a recuperação sazonal da produção, a maior disponibilidade de matéria-prima e a menor sustentação do mercado de derivados devem manter os valores do leite ao produtor pressionados. Mais adiante, porém, possíveis efeitos climáticos gerados pelo El Niño podem restringir a expansão da oferta e amenizar a intensidade de queda dos preços.

Foto: Sistema Faep

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