quinta-feira, julho 23, 2026

Produção de etanol do sorgo ganha força no Brasil

Com a crescente demanda por biocombustíveis, o cereal torna-se uma opção eficiente e rentável como alternativa às usinas, principalmente no Centro-Oeste, que já possuem estrutura de esmagamento para o milho

De acordo com os dados do Anuário de 2024 divulgado pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), a produção de biocombustíveis no Brasil atingiu um marco histórico, refletindo o crescimento robusto no setor e a diversificação das fontes de energia renováveis. Juntos, etanol e biodiesel somaram quase 43 bilhões de litros. Com esse recorde, o país ganha protagonismo no cenário global na produção e uso de combustíveis renováveis, e na redução das emissões de gases de efeito estufa.

A diversificação de matéria prima na produção dos biocombustíveis é outro diferencial da agroindústria brasileira. Além do uso de insumos já consolidados como cana-de-açúcar e do milho, as usinas voltam o olhar também para outros cereais, com destaque para o sorgo. “O primeiro ponto a destacar é que o rendimento desse grão é semelhante ao do milho na produção de etanol. Entretanto, por ser mais barato, torna-se uma opção interessante para a indústria economicamente falando, pois, o custo final será menor”, explica Ana Scavone, engenheira agrônoma e líder de desenvolvimento de novos negócios da Advanta Seeds.

A única desvantagem para a indústria de biocombustíveis é que diferentemente do milho, o sorgo não produz o óleo em seu processo de extração e deixa de ter esse valor agregado. Porém, segundo a engenheira agrônoma, há muitas pesquisas avançadas focadas no tema. “O sorgo não gera o óleo após a produção de etanol, porém do farelo resultante, forma-se o DDG, um composto proteico muito rico que pode ser destinado à alimentação animal de bois, aves e suínos. É uma cultura que aos poucos ganha seu espaço e deixa de ser apenas uma oportunidade para ser protagonista com boa rentabilidade”, reforçou.

Por ser considerada uma cultura versátil, o sorgo oferece uma série de outros benefícios. De acordo com a especialista, a planta é mais tolerante a condições de alta temperatura e escassez hídrica se comparada com o milho, devido a suas características biológicas, como alta capacidade de desenvolvimento radicular e cerosidade nas folhas e colmo, diminuindo a transpiração. Somado a isso, é uma opção de cultivo para diversificar a produção gerando mais uma fonte extra de renda às fazendas.

Avanços tecnológicos

Com o crescimento das áreas plantadas nas últimas safras, o Brasil já se tornou o terceiro maior produtor mundial de sorgo, e não devemos parar por aí, pois é uma cultura que pode ganhar mais espaço, principalmente por ser uma excelente opção aos produtores diante das estreitas janelas de plantio do milho. O cultivo do grão como uma segunda safra, por exemplo, pode gerar uma rentabilidade superior, em relação a outros modelos tradicionais praticados atualmente. “Pesquisas comprovam que se aplicarmos no sorgo os mesmos investimentos que você faz no milho, o resultado será uma rentabilidade igual ou superior, a depender da janela de plantio”, destacou Ana.

Esse bom desempenho só é possível graças a tecnologias como o sorgo Igrowth da Advanta Seeds, uma inovação que proporciona diversos benefícios, como controle de plantas daninhas de folhas estreitas, deixando a lavoura no limpo durante o ciclo e no pós-colheita, beneficiando o desenvolvimento da cultura subsequente. “Hoje a empresa vem quebrando paradigmas mostrando o quanto essa cultura quando bem manejada tem grande potencial produtivo trazendo benefícios e economia aos produtores”, reforçou a engenheira agrônoma.

A especialista destaca ainda que as usinas também já visualizam os benefícios do sorgo para a produção de biocombustíveis. “O etanol de milho já é algo consolidado no Brasil e as agroindústrias precisam fazer poucas modificações nas máquinas para poder esmagar também o sorgo. Já existem três unidades que foram projetadas adaptando esse modelo híbrido, uma em Sidrolândia, Mato Grosso do Sul, outra em Balsas, Maranhão e uma terceira no Vale do Araguaia, no Mato Grosso, que está próxima de ser finalizada. E esse é só o começo”, finaliza a líder de desenvolvimento de novos negócios da Advanta Seeds. (Divulgação)

Foto: Divulgação Advanta

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