O principal fator foi a revisão para baixo da produção norte-americana feita pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), que projeta a menor safra de trigo do país desde a temporada 1970/71
Os preços do trigo registraram alta nos últimos dias, impulsionados pelo cenário de oferta global mais restrita. O principal fator foi a revisão para baixo da produção norte-americana feita pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), que projeta a menor safra de trigo do país desde a temporada 1970/71. No Brasil, a oferta limitada da safra passada também contribuiu para sustentar as cotações, segundo levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea).
De acordo com o Cepea, a disponibilidade reduzida do trigo remanescente da safra anterior deu suporte aos preços no mercado interno. Por outro lado, a valorização do real frente ao dólar tornou as importações mais competitivas, amenizando uma valorização ainda maior das cotações domésticas.
No cenário internacional, o USDA revisou levemente para baixo sua estimativa para a produção mundial de trigo na safra 2026/27. O novo relatório aponta uma colheita de 819,969 milhões de toneladas, volume 0,01% inferior ao projetado em junho e 2,8% menor em comparação com a temporada 2025/26.
Segundo o órgão norte-americano, a redução da oferta global é consequência, principalmente, das perspectivas de menor produção nos Estados Unidos e no Canadá. Parte dessa queda, entretanto, foi compensada pelo aumento das estimativas para Rússia e Ucrânia, importantes exportadores do cereal.
Nos Estados Unidos, a previsão de produção foi reduzida em 0,5% em relação ao relatório anterior, totalizando 41,81 milhões de toneladas. Na comparação com a safra 2025/26, a retração é de expressivos 22,6%. Caso a projeção seja confirmada, será a menor colheita de trigo norte-americana em mais de cinco décadas, desde a safra 1970/71, reforçando as preocupações com a oferta global e sustentando o movimento de alta nas cotações internacionais.




