quarta-feira, setembro 9, 2026

Soja e milho: consumo e exportações sustentam preços no segundo semestre

Os mercados de soja e milho entram no segundo semestre em uma fase de transição entre a colheita nos Estados Unidos e o início do plantio na América do Sul. Segundo a Hedgepoint Global Markets, a demanda continua oferecendo suporte aos preços, enquanto as incertezas sobre a produtividade norte-americana, o clima no Brasil, os conflitos geopolíticos e os fluxos comerciais devem manter a volatilidade elevada.
No Brasil, a primeira estimativa da Hedgepoint para a safra de soja 2026/27 é de 181,7 milhões de toneladas, praticamente em linha com a temporada anterior. Para o milho, a produção 2025/26 é estimada em 140,3 milhões de toneladas. O cenário combina crescimento mais moderado da oferta de soja com avanço estrutural do consumo doméstico de milho para etanol.

Soja brasileira deve crescer menos, com margens pressionadas

A projeção para a soja considera aumento de apenas 0,9% na área plantada, abaixo do crescimento próximo de 3% estimado pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). Preços mais baixos, custos elevados e fertilizantes mais caros reduziram a rentabilidade do produtor e devem limitar uma expansão mais agressiva da área e os investimentos em tecnologia e insumos.

A estimativa de 181,7 milhões de toneladas ainda não incorpora eventual impacto negativo do El Niño. As previsões são favoráveis ao plantio em setembro e outubro, mas, a partir de novembro, indicam possibilidade de menos chuvas no Centro-Norte e maior umidade no Sul. Assim, a safra pode começar em boas condições e enfrentar dificuldades durante o desenvolvimento das lavouras.

“A soja brasileira entra no novo ciclo com uma perspectiva de crescimento muito mais moderado da oferta. O principal ponto de atenção não é apenas a área, mas a combinação entre margens comprimidas e risco climático associado ao El Niño. Caso o clima permaneça apenas normal, a produção deve ficar próxima de 181–182 M ton; se houver problemas no Centro-Norte, existe espaço para uma safra significativamente menor e, consequentemente, para forte reação de preços e prêmios”, afirma Luiz Fernando G. Roque, Coordenador de Inteligência de Mercado da Hedgepoint Global Markets.

Exportações de soja seguem fortes e prêmios ganham suporte

Na temporada 2025/26, as exportações brasileiras de soja devem alcançar aproximadamente 114 milhões de toneladas, cerca de 6 milhões acima do recorde anterior, de 108 milhões. Os prêmios também ganharam força, favorecidos pela sazonalidade do segundo semestre, pela demanda externa e doméstica e pela menor disponibilidade antes da próxima safra.

Nos Estados Unidos, a produção de soja permanece como um dos principais pontos de incerteza. O USDA estima cerca de 123 milhões de toneladas, enquanto a Pro Farmer aponta 124,4 milhões. Na penúltima semana de agosto, 60% das lavouras estavam em condições boas ou excelentes, ante 69% no mesmo período do ano anterior, o que mantém em aberto a produtividade efetiva.

Ao mesmo tempo, o crescimento do esmagamento, estimulado pelo biodiesel e pelo diesel renovável, e a retomada das compras chinesas sustentam a demanda. As vendas antecipadas chegaram a aproximadamente 11,5 milhões de toneladas para entrega a partir de setembro, enquanto a relação estoque/uso permanece próxima de 7%.

Etanol fortalece demanda doméstica por milho

O consumo brasileiro de milho para etanol deve crescer cerca de 5,5 milhões de toneladas e pode se aproximar de 29 milhões com o E32. O país conta com 29 usinas de etanol de milho em operação e outros 27 projetos em desenvolvimento. Para a Hedgepoint, essa expansão ajuda a compensar a menor competitividade do cereal brasileiro no mercado externo e amplia a disputa pelo produto, principalmente nas regiões próximas às plantas industriais.

As exportações brasileiras de milho são estimadas em 41 milhões de toneladas, praticamente estáveis em relação à temporada anterior. O potencial de avanço é limitado pela maior concorrência argentina e pela possível redução das compras do Irã, que adquiriu aproximadamente 9 milhões de toneladas em 2025, mas estava cerca de 1 milhão de toneladas abaixo do ritmo anterior entre janeiro e julho de 2026.

Foto: Wenderson Araujo/Trilux

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