O mercado brasileiro de algodão em pluma enfrentou um outubro de negociações lentas, baixa liquidez e pressão sobre os preços. Durante a maior parte do mês, compradores e vendedores adotaram uma postura cautelosa, reduzindo o ritmo das operações no mercado interno.
De acordo com pesquisadores do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), os vendedores concentraram seus esforços em negociações pontuais e no cumprimento de contratos firmados antecipadamente. Já as indústrias mantiveram uma atuação mais discreta nas compras, priorizando o consumo dos estoques disponíveis e dos volumes já contratados.
O cenário começou a mudar na última semana de outubro, quando a forte valorização do dólar frente ao real elevou a paridade de exportação do algodão. Com isso, a cotação doméstica, que permaneceu acima desse referencial durante boa parte do mês, passou a ficar abaixo dele a partir do dia 26.
Diante dessa mudança, vendedores consultados pelo Cepea passaram a adotar uma postura mais firme nas negociações, contribuindo para a recuperação das cotações no mercado interno.
Apesar da reação nos últimos dias, o resultado mensal permaneceu negativo. Entre 30 de setembro e 30 de outubro, o Indicador CEPEA/ESALQ do algodão em pluma, com pagamento em oito dias, recuou 1,05%, encerrando o mês a R$ 4,1302 por libra-peso (lp).
A recuperação, no entanto, foi expressiva na reta final. Entre os dias 26 e 30 de outubro, o indicador acumulou alta de 1,7%.
No comparativo com o mercado externo, a cotação brasileira ficou, em média, 1,3% acima da paridade de exportação ao longo de outubro. Na última semana do mês, porém, a relação se inverteu, e o preço interno passou a operar, em média, 3,8% abaixo desse referencial.
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